Conto

Mais de 365 dias de amor por ti: Prefácio

Esta história podia ter demorado menos tempo a ganhar asas, mas nunca chega a ser tarde demais para dar lugar ao coração. Já é inverno, mas ela guarda a beleza da primavera, o calor do verão e as folhas de outono a servir de confettis. Ela constrói-se com beijinhos na testa e cheiro a mar salgado. Um pensamento profundo irá ser-lhe roubado inconscientemente até ao culminar e aceite esse ponto final como um desamarrar preciso.

Todos sabemos que no que toca a histórias de amor não há lugares comuns. Esta história será bonita demais, será como um sonho real, cheio de abraço quente e sorrisos de sol. O amor é mais do que o toque dos lábios de forma intensa, é mais do que um beijo apaixonado com os olhos inundando-se de água, é mais do que um pensamento primordial do dia e terminal da noite, é mais do que uma vontade excessiva de se querer permanecer aconchegado.

O amor é sempre sobre uma história de dois que nunca falece, que não suporta respirar e morre, mas que nem assim chega a morrer. O amor é um abraço constante e um afago nos cabelos. O amor tem nele mil e uma ações e duas pessoas ancoradas uma à outra, faça tempestade ou nasça um raio de sol. O amor é daquelas palavras que nunca vai ter uma definição errada, pois todas as suas justificações são inteiras. Ele dorme gelado e mesmo assim guarda espaço para enlaçar os pezinhos. O amor permite ver o céu mais estrelado sem nunca perder a constelação mais bonita da almofada vizinha. Ele não tem filtros ou razões para ser, ele simplesmente deixa-se ser. O amor é onde todos cabemos, é casa, é trevo de quatro folhas em modo de gente.

O amor é um sentimento que não se esvazia, ele é coração e é sempre uma escolha para ficar. São poucas as pessoas que se permitem amar sem hífens, que se permitem à melancolia de estarem tristes a estar com alguém só porque não se aceitam sozinhas.

E, apesar do amor de agora ser uma novidade, em que chega a ser removido sem condolência, sem remorsos ou preocupação, em que não há um estado sincero da sua parte e sobre aquilo que se sente e em que prevalece um esgotar fácil, bloqueando-se os lugares mais sublimes onde já não se conversa, num tempo em que só cabem distanciamentos, esta história vai dar vontade de apanhar o avião do amor para fazer morada na pele de alguém e tornar isso casa para não fugir. O amor é um sentimento que não se esvazia, ele é coração e é sempre uma escolha para ficar. São poucas as pessoas que se permitem amar sem hífens, que se permitem à melancolia de estarem tristes a estar com alguém só porque não se aceitam sozinhas. Todos querem ter alguém para afastar sentimentos que privam a felicidade de entrar. Mas o amor é destapado quando não o obrigamos a ser.

Camila é uma menina mulher de trinta anos, de coração raro e de gargalhada de uma pequena de quatro anos. Ela possui uma luz que ilumina e abraça o mundo inteiro. A história dela iniciou-se há dez anos, quando se esbarrou com o cupido e tudo ficou em tom de arco íris. E é assim que começa o amor, as coisas acontecem sem que nos apercebamos que elas já moram em nós. Num instante – “amo-te”, mas não é num instante que o amor se desperdiça. Camila dir-nos-á que o amor não é só uma palavra que nos é exigida, ele é um universo em jeito de promessa que se grita ao mundo, pois ele promete o melhor que sabe e, quando não se sabe, inventa-se.

O amor faz respirar o que não guarda sopro e pode ser ouvido para além da distância, pois tudo é perto. Ele abraça num temporal e perdoa apesar da chuva. Ele faz acontecer e Camila vai expressar-nos o amor à sua medida, mesmo que poucos compreendam que amar não é um mapa. A história inconcebível do amor de Camila vai ganhar asas e voar. “Esmago-te de amor!” e, assim será. Up, o amor!

Juliana Gomes, escritora
E-mail: escritorajulianagomes@gmail.com
Instagram: juli_ana_juli

 

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