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E quando não há amor?

A violência doméstica é uma realidade que, felizmente, tem tido com o passar do tempo maior atenção por parte de diferentes autoridades. O fenómeno tem sido amplamente estudado e discutido, havendo no país cada vez mais valências que oferecem serviços de proteção e prevenção. De acordo com a APAV, “a violência doméstica abarca comportamentos utilizados num relacionamento, por uma das partes, sobretudo para controlar a outra”. Estes comportamentos vão muito para além da violência física, podendo existir manipulações emocionais, sociais, sexuais e financeiras. Por várias vezes as vítimas não se apercebem sequer de que são vítimas. As pessoas envolvidas podem ou não ser casadas, ser do mesmo sexo ou não, viver juntas, separadas ou apenas namorar. As vítimas podem ser ricas ou pobres, de qualquer idade, sexo, religião, cultura, grupo étnico, orientação sexual, formação ou estado civil. Todos podemos ser vítimas de violência doméstica. Se sabe de alguém que esteja a ser vítima, denuncie!

O ciclo da Violência Doméstica

A violência doméstica funciona, geralmente, através de um ciclo com três fases:

1. Aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as ameaças tecidas pelo agressor criam, na vítima, uma sensação de perigo iminente.

2. Ataque violento: o agressor maltrata física e psicologicamente a vítima; estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade.

3. Lua-de-mel: o agressor cobre a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar, dizendo que nunca mais voltará a exercer violência.

O ciclo caracteriza-se pela sua continuidade no tempo, pela sua repetição sucessiva ao longo de meses ou anos, podendo ser cada vez menores as fases da tensão e de apaziguamento e cada vez mais intensa a fase do ataque violento. Usualmente este padrão de interação termina onde antes começou. Em situações limite, o culminar destes episódios poderá originar a morte da vítima.

Diferentes tipos de Violência Doméstica

— Violência emocional: qualquer comportamento do companheiro que faça o outro sentir-se amedrontado ou inútil.
Exemplos: ameaçar os filhos; magoar os animais de estimação; humilhar o outro na presença de amigos, familiares ou em público.
— Violência social: qualquer comportamento que tenha como objetivo o controlo da vida social do companheiro.
Exemplos: impedir visitas a familiares ou amigos, cortar o telefone ou controlar chamadas, mensagens e contas telefónicas, impedir o outro de sair de casa.
— Violência física: qualquer forma de violência física que o agressor inflige ao companheiro.
Exemplos: esmurrar, pontapear, estrangular, queimar, induzir ou impedir que o companheiro obtenha medicação ou tratamentos.
— Violência sexual: forçar o companheiro a protagonizar atos sexuais que não deseja.
Exemplos: pressionar ou forçar o companheiro para ter relações sexuais quando este não quer; pressionar, forçar ou tentar que o companheiro mantenha relações sexuais desprotegidas; forçar o outro a ter relações com outras pessoas.
— Violência financeira: qualquer comportamento que pretenda controlar o dinheiro do companheiro sem que este o deseje.
Exemplos: controlar o ordenado do outro, recusar dar dinheiro ao outro ou forçá-lo a justificar qualquer gasto; ameaçar retirar o apoio financeiro como forma de controlo.
— Perseguição: qualquer comportamento que intimide ou atemorize o outro.
Exemplos: seguir o companheiro para o seu local de trabalho ou quando este sai sozinho; controlar constantemente os movimentos do outro, quer esteja ou não em casa.

E os mais pequenos?

As crianças podem ser consideradas vítimas de violência doméstica como:

— Testemunhas de violência doméstica: presenciar ou ouvir os abusos infligidos sobre a vítima, ver os sinais físicos depois de episódios de violência ou testemunhar as consequências da violência na pessoa abusada.
— Instrumentos de abuso: um pai ou mãe agressor pode utilizar os filhos como uma forma de abuso e controlo;
— Vítimas de abuso: as crianças podem ser física e/ou emocionalmente abusadas pelo agressor (ou mesmo, em alguns casos, pela própria vítima).

Se está a ser vítima de violência doméstica ou quer denunciar uma situação:

— Contacte a APAV. Ser-lhe-á disponibilizado apoio psicológico, jurídico, emocional e social, gratuito e confidencial.
116 006 (Chamada gratuita)
apav.sede@apav.pt

Em caso de Emergência
112
PSP
GNR

Em Braga

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)
Rua de S. Vítor, nº 11
4710-439 Braga
Dias úteis: das 14h00 às 18h00
Valências: Social, Psicológica e Jurídica
Telefone: 253 610 091

Cáritas Arquidiocesana de Braga – “Espaço Igual”
Rua dos Falcões, s/n
4700-316 Braga
Dias úteis: das 9h30m às 12h30m e das 14h30m às 18h30m
Valências: Social, Psicológica e Jurídica
Telefone: 253 263 252

 

Estatísticas APAV 2013 – 2017

36.528 processos
— Em 80% das situações, a violência foi exercida de forma continuada
— 64,6% dos crimes acontecem na residência comum de agressor e vítima
— 85% dos agressores são do sexo masculino
— 1/3 dos agressores estavam empregados

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