Editorial

Ter menos, ser mais

O mês de março aproximava-se e, pensando na primavera, achamos uma boa ideia abordar o tema da Ecologia. 

No meu caso, achava que já fazia muito: em minha casa “sempre” se fez reciclagem, optamos há muito pelos sacos reutilizáveis e somos incapazes de deitar um papel ao chão. Depois conheci a Ana, a Sara, a Marta, a Flávia, a Virgínia, o José Paulo, o Mário e tantas outras pessoas… e percebi que afinal faço pouco, muito pouco. Confrontaram-nos com dados que são de assustar qualquer um: estamos a matar o nosso planeta, a nossa casa comum, e estamos pouco preocupados com isso! Reciclar já não é suficiente. Importa perceber que conseguimos viver com muito menos, aprender a recusar, dizer “não” ao desperdício, declinar o descartável, apostar no fantástico que a “mãe-natureza” tem para nos oferecer, abraçar o biológico e orgânico. 

Acho que devemos buscar também inspiração na sabedoria dos nossos pais e avós, que tiveram o privilégio de viver numa sociedade menos plastificada e mais artesanal. Que consigamos reaprender com eles a alegria de sentir os pés na terra, o toque das folhas e árvores, o aroma que nos é trazido pelo vento, a beleza dos pássaros que chilreiam.

Temos um desafio para si. Escolha um dia e leve a sua família para o meio da natureza. Não precisa de ir para muito longe, basta um espaço ajardinado. 

Façam um piquenique, deixem as crianças brincar na relva, na lama, à chuva, se for o caso. Depois diga-nos que influência teve este dia na vossa boa- -disposição e serenidade. 

Está em nós o poder de fazer com que esse dia possa ser repetido por vários dias e durante as próximas gerações. Não precisamos de mudar o mundo todo de uma vez, mas passo a passo podemos fazer a diferença.

O Papa Francisco, na sua Encíclica Laudato Si’, disse que quanto mais as pessoas se isolam na sua própria consciência, mais esvaziam o coração, aumentando a sua voracidade ao precisarem de mais objetos para comprar, possuir e consumir. É verdade, é uma característica destas novas gerações, onde também  me incluo. Mas o Papa também referiu que “quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade”. Eu também acredito em recomeços e mudanças, no poder da reconciliação com a casa que é de todos nós. E o leitor? Que vai fazer para mudar hoje?

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