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Viver a Páscoa… à moda de Braga!

O Domingo de Páscoa assinala a ressurreição de Jesus Cristo, três dias depois da sua crucificação. Em Braga, as festividades associadas à Semana Santa são nacional e internacionalmente reconhecidas. O turismo floresce, as ruas são preenchidas por vários idiomas, as igrejas recebem maior número de fiéis. Para esta Páscoa, a Minha preparou um roteiro gastronómico, espiritual e cultural para que possa usufruir desta época de forma verdadeiramente especial.

Gastronomia

Doce

Começamos o nosso roteiro a pensar nas crianças ou nos adultos mais gulosos. Quem não gosta de umas boas amêndoas ou ovos de chocolate? Na Arcádia e na Fava do Cacau consegue encontrar doçuras alusivas à época como os tradicionais coelhos de chocolate, amêndoas de todos os tipos – francesas, com licor, belgas – e ovos dos mais variados tamanhos, desde aqueles que cabem na palma da mão aos que são para ser saboreados com parcimónia.

——  Arcádia  ——

R. Dom Afonso Henriques, n.º 21
4700-305 Braga

——  Fava do Cacau  ——

R. dos Biscainhos, n.º 25
4700-415 Braga

Não há mesa de Páscoa sem pão-de-ló, isso é garantido. E se dantes só podia ficar-se pelo tradicional, hoje a variedade deste doce é muita, como podemos constatar através do pão-de-ló húmido, “esquecido”, ou de chocolate. Dê um saltinho à Queijaria Central, à Pastelaria Milouriana ou à Casa das Natas. Encontra estas opções e outros doces tipicamente pascais, como os fidalguinhos. Mas apresse-se, todas as casas são muito concorridas e corre o risco de sair de mãos a abanar. Se isso acontecer, experimente a nossa receita. Simples mais simples, não há!

6 ovos
250 g de açúcar
150 g de farinha
raspa de laranja

Pré-aqueça o forno a 180º. Bata as claras em castelo e reserve. Bata as gemas com o açúcar até obter uma mistura homogénea. Junte a farinha e as claras e mexa tudo muito bem. Junte a raspa de laranja e leve ao forno em forma apropriada.

——  Queijaria Central  ——

Av. Central, n.º 38
4710-229 Braga

——  Pastelaria Milouriana  ——

Largo Monte de Arcos, n.º 93
4710-300 Braga

——  Casa das Natas  ——

Rua Artur Garibaldi, n.º 37
4700-387 Braga

O folar é outra das tradições de Páscoa que merece destaque. A sua origem estará numa lenda em que uma jovem casadoira rezou a Santa Catarina para que lhe surgissem pretendentes. O pedido depressa teria sido atendido, mas trouxe alguma discórdia entre os dois jovens que cortejaram a moça. Foi um bolo com ovos inteiros e recheado de flores, presumivelmente oferecido aos três por Santa Catarina, que lhes permitiu uma vida pacífica e feliz. No Domingo de Ramos, os afilhados costumam presentear os padrinhos com flores. No Domingo de Páscoa, os padrinhos retribuem com o Folar. Embora com os tempos modernos a tradição do Folar tenha caído em desuso, ainda há quem não abra mão desta tradição… e ainda bem! Em Braga ainda há muitos espaços que privilegiam este doce, mas pode também fazer a receita em casa. Lembre-se: feito por nós tem outro valor!

150 g leite meio-gordo
20 g azeite
5 g fermento de padeiro
1 ovo
3 ovos cozidos
1 gema para pincelar
80 g açúcar
350 g farinha sem fermento
½ c. de café de erva-doce
1 c. de café de canela
1 c. de chá de sal

Num recipiente, adicione o leite, o azeite, o açúcar, o fermento e o ovo. Bata tudo muito bem. Acrescente a farinha, a erva-doce e a canela e envolva todos os ingredientes até obter uma mistura uniforme. Transfira tudo para um recipiente polvilhado com farinha. Com as mãos, amasse a massa até ficar no formato de uma bola. Deixe a massa envolta em película aderente a descansar por duas horas. Passado esse tempo, retire-a para uma superfície enfarinhada. Reserve um pedaço para formar tiras e fazer a decoração. Disponha e enterre os ovos na massa até metade. Transfira o folar para um tabuleiro de ir ao forno e coloque as tiras por cima dos ovos. Pincele tudo com a gema de ovo batida. Leve ao forno pré-aquecido a 180º cerca de 40 minutos ou até que fique dourado e já está!

 

Salgado

O cabrito assado também é presença assídua na mesa por altura da Páscoa. Para ser bem confecionada, esta carne de cor clara tem alguns truques, como a marinada a que deve ser sujeita ou o tempo de assadura que, se for ultrapassado, pode deixar o cabrito seco e rijo. Os restaurantes Paulo Padeiro e Arcoense são dois dos sítios em que garantimos que isso não acontece, nós provamos e aprovamos. Mas convém reservar, os espaços não são muito grandes e têm sempre muita gente!

——  Restaurante Paulo Padeiro  ——

R. Américo Ferreira Carvalho, n.º 94
4710-217 Braga

——  Restaurante Arcoense  ——

R. Eng. José Justino de Amorim, n.º 96
4715-043 Braga

Se gosta de uma boa mesa com queijos e enchidos, também temos o lugar ideal para si: a Corriqueijo, uma loja de artigos artesanais onde poderá encontrar verdadeiras obras de arte em forma de laticínio. Passe por lá, faça uma degustação ou compre um queijinho para oferecer. A loja costuma ter cabazes com outros produtos como as compotas ou os vinhos. É uma lembrança bonita e deliciosa!

——  Corriqueijo  ——

R. dos Biscainhos, n.º 89
4700-210 Braga

Cultura

Braga é uma cidade rica em cultura por excelência. Não faltam pontos de interesse a visitar e o programa cultural desta época é inexcedível, com conferências, exposições, concertos, concursos e encenações a acontecer quase todos os dias.

Concertos

——       “Missa Brevis” e “Te Deum”

Orquestra Sinfónica e Coro do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga
5 abril, sexta-feira, 21h30
Sé Catedral 

——       “Botar das Almas”

Grupo de Cantares “Mulheres do Minho” e convidados
11 abril, quinta-feira, 21h30
Capela de N.ª Sr.ª Guadalupe

——       Coro da Santa Casa da Misericórdia de Braga e Ensemble Célio Peixoto

12 abril, sexta-feira 21h30
Igreja do Hospital de São Marcos 

——       “Requiem”

Coro e Orquestra da Universidade do Minho
15 abril, segunda-feira Santa, 21h30
Igreja de Santa Cruz 

——       Estreia mundial: Decateto de metais “Portuguese Brass”

16 abril, terça-feira Santa, 21h30
Sé Catedral 

Para além destes, há muitos mais concertos a preencher as igrejas e outros espaços culturais de Braga. Não deixe de consultar todo o programa disponível em www.semanasantabraga.com!

 

Exposições

Através das várias exposições disponíveis, consegue compreender melhor a nossa Semana Santa. Nada acontece por acaso e a maioria das tradições que conhece tem uma explicação histórica para além de interessante. Sabia, por exemplo, que a Procissão com o registo mais antigo da Semana Santa de Braga é a Procissão das Endoenças, com os primeiros dados a aparecer em 1628? Ou que os farricocos, que tanto captam a nossa atenção com as vestes longas e soturnas, divulgavam em tempos idos os segredos mais íntimos de cada família? As muitas exposições dão-lhe a conhecer a Semana Santa com a modernidade e tradição de mãos dadas.

——       “Ecce Agnus Dei”: Exposição de pintura, de Levi Guerra e outros artistas.

6 março a 28 de abril
Museu Pio XII

——       “Paixão e Glória”: Exposição de arte sacra.

30 de março a 13 de abril
Irmandade de Santa Cruz

——       “Salvação”: Projeto de arte no espaço urbano, de Alberto Vieira.

30 março a 21 abril
Largo do Paço

——       “Redenção”: Exposição de escultura, de Hélder de Carvalho

6 abril a 11 maio
Palácio do Raio

——       “A Semana Santa de Braga” e “Calvários: devoção no espaço público”

8 a 23 abril
Braga Parque

——       “Páscoa de Artur Pastor”: Exposição de fotografias da Semana Santa nas décadas de 1950 e 1960.

15 abril a 12 maio
Casa dos Crivos

Visitas

Às vezes estamos de tal forma habituados ao património da cidade que nem nos apercebemos da riqueza que ele encerra. Há uma série de visitas guiadas que pode fazer nesta altura e que o ajudarão a compreender melhor a história da Semana e os vários momentos religiosos que a enquadram.

13 abril
10h00
Visita guiada: “Os passos dos Passos”

14 a 17 e 20 abril
17h00
Visita guiada ao centro histórico dedicada à história da cidade e da Semana Santa 

18 a 19 abril
17h00
Visita guiada às sete igrejas que representam as sete estações de Roma

Durante a Semana Santa
Visitas guiadas às igrejas da Misericórdia, do Hospital de S. Marcos, de S. Victor, da Senhora-a-Branca e à capela de Nossa Senhora de Guadalupe

Religião

Deixámos o melhor para o fim, o essencial da época: as celebrações religiosas. Não há rito como o bracarense! Três majestosas procissões, calvários de portas abertas, cerimónias que ultrapassam os limites da crença e religião. Braga pára para receber milhares de turistas que se encantam com todos os cerimoniais. Destacamos alguns, mas há muitos mais. 

Lausperene Quaresmal

É uma prática com mais de trezentos anos, nasceu por iniciativa do então Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles. As igrejas estão floridas e com um brilho diferente: algumas delas só expõem as suas porcelanas e ourivesarias nesta altura de maior devoção eucarística.

Abril

1 e 2, Lapa
3 e 4, S. Victor
5 e 6, Cividade
7 e 8, S. Marcos
9 e 10, Carmo
11 e 12, Congregados
13 e 14, S. Vicente
15 e 16, Senhora-a-Branca
17 e 18, Instituto Mons. Airosa

Bênção e Procissão dos Ramos
14 de abril, 11h00
Igreja do Seminário (Largo de S. Paulo)

Cinco dias antes da Sua morte, Jesus, montado num burrinho, desceu do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém. O povo abriu-lhe caminho colocando os seus mantos e ramos de árvores no chão. Hoje em dia, o Arcebispo abençoa os ramos e sai em procissão até à Sé Catedral.

Procissão da “Burrinha”
17 de abril, 21h30

O nome oficial do Cortejo Bíblico é “Vós sereis o meu povo”, mas esta cerimónia é conhecida por procissão da “Burrinha” graças ao animal que transporta a imagem de Nossa Senhora. Centrada na história da Salvação, um dos últimos quadros representa a Fuga para o Egipto com a imagem a ser transportada pela burrinha, que já se tornou num ícone da nossa cidade.

Lava-pés
18 de abril, 16h00

É um dos momentos mais solenes da Semana Santa e tem sofrido algumas alterações nos últimos anos. O Arcebispo lava os pés de doze pessoas que representam os doze apóstolos. Se durante muito tempo só a homens podiam ser lavados os pés, hoje em dia já entram mulheres no cerimonial.

Procissão Ecce Homo
18 de abril, 21h30

É comum as crianças assustarem-se com os farricocos, fogaréus e matracas. As ruas têm a iluminação propositadamente reduzida e o ambiente é solene. Descalços e encapuçados, os farricocos caminham com túnicas negras, “balandraus”, e uma corda atada à cintura e na cabeça. Não conseguimos distingui-los, só lhes vemos os olhos. Na mão, os ruge-ruge cortam o silêncio dos milhares de presentes que se juntam para assistir à procissão. Os fogaréus são outro elemento precioso: na extremidade de um pau de madeira balança um prato de cobre onde ardem sem parar várias pinhas.

Procissão do Enterro do Senhor
19 de abril, 21h30

Se na noite anterior os farricocos conseguiam ser ouvidos a quilómetros de distância, nesta procissão seguem silenciosos e com os fogaréus apagados. O “Enterro do Senhor” assim o exige: à semelhança de um cortejo fúnebre, há uma urna com a imagem de Cristo morto. Várias autoridades civis, militares e religiosas acompanham a procissão, com os participantes de cabeça coberta por um véu, em sinal de luto.

Compasso Pascal

No Domingo de Páscoa, reúne-se a família. O dia é de união, de comunidade e alegria. O compasso Pascal é o ponto alto de toda a tradição que preencheu as últimas semanas. Ouvem-se campainhas, estendem-se tapetes de flores, os foguetes abrilhantam o dia. O “Compasso”, constituído por um grupo de pessoas e um sacerdote, parte da respetiva igreja paroquial em direção aos lares dos bracarenses, a anunciar a Ressurreição e a abençoar as várias casas. Na conhecida zona da Cónega, esta tradição tem lugar à segunda-feira e não ao Domingo.

Seriam precisas vinte revistas para dar conta de tudo o que o que acontece na Semana Santa em Braga. Pode sempre passar pelo posto de Turismo e pela Sé Catedral: terá sempre lá alguém de braços abertos para o receber e dar-lhe as melhores sugestões. É que se há coisa que caracteriza as gentes de Braga, é a hospitalidade!

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