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S. João de Braga oferece mais de 160 iniciativas em 11 dias

Aquela que é apontada como a maior festa popular de Portugal tem este ano 11 dias de intensa programação. De 14 a 24 de junho não vão faltar, por isso, motivos para visitar a cidade de Braga. Há mais de 160 atividades culturais, desportivas, sociais, religiosas e outras associadas à Festa de S. João. Ao todo são 270 horas de programação que envolvem dez mil pessoas e 365 instituições.

Na grande noite de S. João de Braga, a mais longa do ano, o Presidente da República deverá, finalmente, marcar presença, depois de o ano passado não ter podido participar por motivos de saúde.

As festas iniciam-se simbolicamente com o acender das iluminações das decorações, no dia 14 de junho, às 21h30, um momento que conta com as atuações da Associação Cultural Festiva Os Sinos da Sé, Equipa Espiral e Gigantones de S. João.

O Cortejo Internacional de Gigantones e Cabeçudos (dia 15), o Cortejo Etnográfico (16), o Desfile Infantil “O São João da Pequenada” (19), o Cortejo Histórico (21), o Cortejo de Abertura das Festas e o Cortejo das Rusgas (23), o Cortejo Sanjoanino e   a Procissão de São João, antecedida da Missa Solene, no Parque de S. João (24) são os principais momentos das festividades. 

Uma das novidades deste ano é a disponibilização de um novo espaço, a Praça do Artesão que, como o nome indica, destina-se aos artesãos.

Outra novidade é a substituição do Encontro de Joões pelo espetáculo Todos a Bombo, na Praça dos Artesãos, no dia 22. 

A Associação de Festas decidiu ainda alterar a designação “Batalha das Flores” por “Aclamação das Flores” para descrever o lançamento de pétalas à passagem do andor de S. João Baptista, na procissão da tarde do dia 24, feriado municipal.

Organizada pela paróquia de S. João do Souto, a Soleníssima Procissão de S. João sai às ruas com nove andores e conta com a participação de dezenas de figurantes representando as figuras bíblicas mais importantes, mas também elementos que participam de manhã no cortejo sanjoanino.

Este ano, o Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, que celebra o 30.º aniversário, juntará em Braga, a 15 de junho (sábado), 1.600 participantes de mais de 40 grupos de Portugal, Espanha e de outros países europeus.

Neste cortejo, com início às 22h00, integra-se também, desde 2014, a Serpe – uma serpente gigante feita de trapos, personificada por algumas dezenas de figurantes.

O Cortejo Etnográfico, no dia seguinte, domingo, reunirá mais de 300 participantes de 18 associações, grupos e ranchos folclóricos do concelho que desfilarão, trajados a rigor, pelo centro histórico.

Na noite do dia 21, pelas 21h00, sai  do Rossio da Sé o Cortejo Histórico, uma recriação em que se procura fazer uma retrospetiva das sanjoaninas pelos diferentes períodos da história, da “corrida do porco preto”, nos séculos XVI e XVII, às tradições do período barroco.

Do programa destacam-se ainda o Cortejo das Rusgas, na noite do dia 23, e o Cortejo Sanjoanino, com o Carro das Ervas, a Dança do Rei David e o Carro dos Pastores, na manhã do dia 24, três representações teatrais que atraem às ruas da cidade milhares de pessoas.

Originário da idade medieval, o Carro das Ervas tem como objetivo primeiro “purificar” as ruas por onde passam os cortejos e procissões sanjoaninas. Num carro puxado por bois, um casal de romeiros atira para as ruas ervas que também as perfumam.

De inspiração bíblica, a dança do Rei David junta num carro alegórico 13 elementos, um dos quais a figura do Rei David. Trata-se de um número muito apreciado pelos populares que terá origem no século XVI, nos quadros que compunham as procissões sanjoaninas no período do barroco. Este quadro é um dos elementos diferenciados da festa de S. João de Braga.

Encerra o Cortejo Sanjoanino o carro alegórico dedicado ao Auto do Carro dos Pastores que tem como objetivo celebrar o nascimento de São João Baptista. 

Baseando-se no texto bíblico que anuncia o nascimento do filho de Zacarias e Isabel, o Carro dos Pastores exibe, em forma de auto, dois atos bem conhecidos do povo: a aparição do Arcanjo S. Gabriel a Zacarias e a breve história de S. João, enquanto Santo Precursor de Cristo. 

Da programação destacam-se ainda os concertos Cantemos o São João, na Praça do Artesão;
o concerto de Música Sacra, dia 19, na Igreja de
S. João do Souto; a Gala Sanjoanina, que terá lugar no auditório Calouste Gulbenkian, no dia 20, e o Festival do Cavaquinho, no dia 22, que reunirá mais de cinco dezenas de grupos que tocarão este instrumento 12 horas seguidas.  

Este ano, os principais concertos musicais noturnos são assegurados por Toy (19 junho), Agir (23) e Anselmo Ralph (24). Daniel Pereira Cristo, Júlio Pereira e Xavier Dias também vão atuar nos palcos das sanjoaninas, na Ponte e Avenida Central.

Este ano, a Associação espera mais de dois milhões de pessoas nas sanjoaninas de Braga.

Firmino Marques, presidente da Associação de Festas de São João: “S. João passa uma mensagem de paz e de bem”

O novo presidente da Associação de Festas de João de Braga, Firmino Marques, quer que as sanjoaninas continuem a ser um momento de valorização da imagem coletiva de Braga, contribuindo para a afirmação e projeção da cidade no país e além fronteiras. 

O que é que distingue o S. João de Braga das outras festas sanjoaninas que se realizam no país? É algo que se sente e não se vê, tem que ver com a alma bracarense. A forma de estar do bracarense e do minhoto é muito particular, é muito genuína. É também a antiguidade das festas que se perdem no tempo. O S. João de Braga é a maior festa popular e tradicional portuguesa. O número de pessoas que demanda Braga por altura das festas demonstra bem a grandiosidade das nossas sanjoaninas. 

O S. João de Braga festeja-se na cidade mas não se fica dentro de portas… Sim, naquilo que designamos de “São João fora de portas” visita também freguesias do concelho e cidades em Portugal e fora do país. Este ano, levamos o S. João de Braga até S. João da Madeira, onde também se festeja S. João, com uma exposição de fotografia, faremos uma arruada no centro histórico de Santiago de Compostela (Galiza), com a Associação Cultural e Artística Ida e Volta, uma ação de promoção na loja da Entidade Regional de Turismo no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, e teremos uma participação no cortejo de abertura das festas de Santo António de Amares. Vamos promover ainda uma animação no Porto, na Estação de S. Bento e na Loja de Turismo. Isto traduz bem a importância da mensagem sanjoanina e da participação das pessoas numa festividade única.

As festas apresentam um cartaz extenso, com dezenas de iniciativas várias ao longo dos 11 dias. Isso não pode gerar confusão e desviar a atenção dos principais eventos? Julgo que não.  É um programa riquíssimo, com cortejos, rusgas, concertos, desgarradas, cantares ao desafio, encontro de concertinas, eventos religiosos. São 270 horas de programação que envolvem milhares de voluntários de 365 instituições.

Estamos aqui para receber a todos com a característica que identifica os bracarenses, de porta aberta e de coração aberto, com uma alma bracarense que procura inflamar todos aqueles que demandam a nossa terra.

Uma das novidades da festa deste ano é a Praça do Artesão. O que é que se poderá ver neste espaço? As pessoas vão poder assistir à construção de bombos, à construção de instrumentos de corda (Braga pontifica na questão do cavaquinho e da viola braguesa),  à construção  dos próprios gigantones e cabeçudos.

As festas passam também muito pela componente religiosa, em honra de S. João, e por aquilo que este santo significa. Sim. A procissão e a aclamação de flores que acontece em homenagem ao São João
é um momento muito singular, de muita religiosidade e de crença relativamente aquilo que o S. João significa para os crentes e não só, porque dos 1 milhão e 200 mil pessoas que visitaram Braga em 2018 nem todos teriam as mesmas convicções religiosas. O S. João torna-se, também, uma figura que faz passar a mensagem inter-religiosa, a mensagem de paz e de bem. Estamos aqui para receber a todos com a característica que identifica os bracarenses, de porta aberta e de coração aberto, com uma alma bracarense que procura inflamar todos aqueles que demandam a nossa terra.

O que significa para si assumir a responsabilidade das festas sanjoaninas  de Braga? É um orgulho e uma satisfação dupla porque sou um bracarense que viveu 61 anos de S. João sempre com grande ânimo e com grande ansiedade de que as festas chegassem, e agora faço parte da organização, num trabalho pela nossa terra. Todo o trabalho que se desenvolve é recompensado pela satisfação que provoca nas pessoas.  

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