Roteiros

Os Santos Populares pelo património

O mês de junho cheira a manjerico, a sardinhas, a farturas, a bifanas, a pão com chouriço e a tantas outras coisas que nos fazem sorrir nas festas dos Santos Populares.

Não há ninguém que não saiba onde celebrar por este país o Santo António, o S. João e o
S. Pedro com toda esta paleta de cheiros e diversões que fazem com que o mês de junho passe num instante.

Mas, o que muitos não deverão saber é que há imensas terras por este Minho onde estas festas são grandemente celebradas e estão associadas a património verdadeiramente único no país.

O primeiro santo popular que nos surge no calendário é o Santo António, cuja noite se celebra de 12 para 13, estando ele associado aos casamentos, sendo por isso mesmo apelidado por santo casamenteiro.

Em Santo António de Mixões da Serra, a sua fama é outra e em consonância com a devoção das gentes destas terras, onde o Alto e o Baixo Minho se encontram. Saindo de Vila Verde pela Estrada Nacional 101 em direção a Ponte da Barca, não tem que enganar. É sempre em frente até chegar até à Portela do Vade. Na rotunda, lá está a indicação para Mixões de Serra, onde nos espera, no meio do monte, o santuário dedicado a Santo António.

Aqui, no dia 13 de junho há festa, mas o momento maior é sempre o domingo antes do dia de Santo António, em que acontece a bênção dos animais. Conta a história que o primeiro templo datava dos primeiros anos do século XVII e foi construído pelos pastores que tinham o seu gado nestas serras, ou seja, de Vila Verde, Gerês, Serra Amarela, Peneda, Soajo, Paredes de Coura, Ponte da Barca, e Arcos de Valdevez, para agradecer a proteção de Santo António aos seus animais, defendendo-os das doenças e, principalmente, dos lobos.

Hoje, o Santuário de Santo António que temos em Mixões da Serra é uma construção inaugurada em 1952, e as gentes que vivem e tiram rendimentos dos seus animais continuam a cumprir a tradição. Continuam a pedir a proteção de Santo António. Por isso, no domingo antes do dia 13 há aqui a bênção dos animais depois da eucaristia solene, sendo este dos poucos, ou talvez mesmo o único local, onde a bênção é dada a cada animal individualmente.

Do Santo António até ao S. João, é um saltinho. Talvez não tão pequeno como aquele que teremos que dar para visitar o nosso próximo monumento. Bem, se sairmos de Viana do Castelo, não é assim tão longe, nem tão difícil. Pela A28, não tem nada que enganar, é sempre seguir em na direção de Caminha e Valença até chegar à saída que indica Arga S. João/Dem.

Pois, já deverá ter adivinhado que, em dia de S. João, a visita é ao Mosteiro de S. João de Arga, onde a estrada nos leva sem enganar. Os mais atentos dir-me-ão que a grande romaria aqui acontece nos dias 28 e 29 de agosto. É verdade! Mas o dia de S. João aqui não é esquecido. O povo chama a esta festa, talvez menos concorrida e menos conhecida, o S. João das Cerejas. Durante a manhã são as celebrações religiosas e o cumprimento de promessas. E aqui, quando se dá esmola ao S. João, manda a tradição que se dê também ao diabo, que está na imagem a ser dominado por S. Miguel. É que, se o santo nos livrou da maleita, é melhor também dar esmola ao diabo para que ele não nos volte a atormentar.

Para além desta curiosidade única – que saibamos! – no país, e que pertence ao património imaterial, fica a sugestão de olhar para este mosteiro que é de uma beleza excecional. Com raízes românicas. Situado no meio do silêncio da serra, onde a eletricidade ainda hoje não chegou, dizem que para aqui vinham os frades beneditinos castigados por algum pecado cometido. O altar barroco merece um olhar particular. É todo ele em granito.

E, para onde ir no dia de S. Pedro, sem contar com os destinos tradicionais? Se já estamos no Alto Minho, então que seja em S. Pedro da Torre, no concelho de Valença. Dizem que aqui a festa é em grande. Calhe a que dia da semana calhar, é sempre a 29 de junho, o dia do padroeiro da terra, situada mesmo no final da A3, depois da saída para Vila Nova de Cerveira. A procissão dá a volta a metade da freguesia e muita gente vem de propósito para ver os arranjos florais dos andores.

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