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Natureza: Quando a Montanha é o palco da adrenalina

O sossego da montanha não fazia prever a adrenalina que as poucas cordas podem trazer a quem pratica canyoning. Fato de banho e uma toalha são as ordens até chegar à base de operações, o Peneda-Gerês Adventure Center.

“Então onde estão as canoas?”. A resposta foi dada no briefing que a empresa “Tobogã” faz antes de qualquer atividade. O guia, Pedro Pinto, confessou que esta era uma questão frequente de quem se inscreve na atividade.

O canyoning não tem canoas. É uma atividade que inclui descidas de rios de montanha, onde se ultrapassam cascatas com diferentes manobras como rapel, rapel guiado, slide e saltos para a água. Existem também os escorregas naturais, os tobogãs, que dão o nome à empresa.

O equipamento engloba o fato de neoprene, botas apropriadas para a atividade e capacete de proteção. Cada participante leva ainda à cinta todo o material necessário para as descidas com cordas. Não há telemóveis nem GPS.

O dia previa-se quente, mas a água fazia tremer até os mais aventureiros. O guia dita o caminho, Ribeira da Carcerelha. Parecia saber de cor a direção que as pedras e o rio lhe indicavam. E sabia mesmo.

Pouco tempo depois da partida chega a primeira descida com cordas. “Fácil”, disse o Pedro.

Os joelhos já se faziam tremer e não havia forma de fazer “batota”, nem de o doutor google arranjar alternativas.

Respeitando o ritmo, entre subidas e paisagens idílicas surgem as cascatas que dão as boas-vindas à verdadeira adrenalina.

“Ou saltas, ou saltas”, disse o Pinto, como é mais conhecido, com um sorriso à espera de aprovação.

Tentando transformar os olhos num detetor, procurando uma ancoragem como alternativa, a solução foi saltar.

O último desafio foi um slide sobre uma cascata. Enquanto o guia preparava a descida, o coração disparava e o pensamento desdobra-se nas mil e uma opções de alguma coisa correr mal.“Está bem preso? Já alguma vez se soltou? “, entre gargalhadas nervosas. A descida fez-se entre gritos e risos abafados pela água na chegada.

Conhecer o Gerês sobre rodas… elétricas

Os passeios de E-Bike prometem combinar a cultura a um lazer ativo. No briefing, o guia Manuel Costa explica o funcionamento da bicicleta elétrica e os vários níveis de ajuda que ela proporciona ao longo do passeio.

O passeio começa no Peneda-Gerês Adventure Center e passa por trilhos, aldeias, capelas e locais históricos da região.

Manuel Costa comanda a atividade gesticulando e comunicando, prevendo alguma situação perigosa.

Durante o passeio, relata que já viu vários animais, alguns raros de se avistarem. Javalis, corsos, cobras e lobos. Ainda assim, o guia afirma que é uma atividade segura e que serve para toda a família, onde é fácil adaptar o nível de dificuldade.

O passeio obrigou a paragens, não por cansaço ou pela falta de prática, mas pelas paisagens à beira rio de fazer suster a respiração de quem lá passa.

Ao pedalar pelas aldeias, entre acenos e “boas tardes” a população local mostrava o hábito de ver passar as bicicletas. O guia, também sócio da empresa Tobogã, explicou que a atividade E-Bike é um serviço “relativamente recente”. “Fazemos vários percursos. O percurso normal tem a duração de um dia, com níveis diferentes de dificuldade, desde o fácil ao mais difícil”, explicou.

O responsável conta que há um café, onde vão frequentemente, que até já sofreu obras para conseguir servir todos os grupos de turistas que passeiam pela zona.

Com as bicicletas elétricas é possível fazer a travessia da Serra Amarela, do Parque Nacional Peneda-Gerês e os Caminhos de Santiago de Compostela, que se iniciam normalmente em Valença.

“Há quem queira começar no Porto ou em Braga”, referiu o guia.

Aliar a natureza ao desporto é a nova aposta do Alto Minho. A água é a protagonista do novo projeto “Blue Ways”, que pretende mostrar as potencialidades do território através do desporto náutico.

O presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Augusto Marinho, explica que esta atividade está alinhada com aquela que é a estratégia do Município.

“Queremos aproveitar os nossos recursos naturais. O nosso território está mais de 50% inserido no Parque Nacional Peneda-Gerês. Temos um território que é Reserva Mundial da Biosfera, cheio de tradições, com muita cultura e urge criar uma estratégia centrada na água. O turista que nós temos de cativar é aquele que quer ser bem servido, que quer usufruir do território e de práticas profissionais e em segurança”, afirmou Augusto Marinho.

Tradições que rasgam sorrisos

Todos os anos alguns utentes da APPACDM de Ponte de Lima e Ponte da Barca reservam um dia para a prática de Canyoning. O sócio da “Tobogã”, Manuel Costa, explicou que a iniciativa surgiu há oito anos, como forma de ajudar e proporcionar um dia diferente. Os guias voluntariam-se para acompanhar os utentes numa versão mais curta do Canyoning.

Acaba por ser um dia diferente para nós, muito gratificante por levar os miúdos. Eles ficam com um sorriso de orelha a orelha. Quando fizemos a primeira edição aquilo foi um sucesso e eles ainda estavam a tirar o equipamento e já estavam a perguntar quando ia ser a próxima. A partir daí começamos a criar uma tradição, muitas vezes é no Dia Mundial da Criança”, concluiu o responsável.

 

 

 

 

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