Treino

Saúde a galope

Belos, fortes e elegantes, os cavalos são animais admiráveis. Estes seres acompanham e contribuem para o desenvolvimento da humanidade há séculos e podem ser considerados grandes amigos. Neste mês, conhecemos um pouco mais sobre o Hipismo, desporto em que eles são os protagonistas. Para ajudar-nos a compreender mais sobre esta prática, visitamos o Trote – Centro Hípico S.A., onde nos contaram tudo sobre esta modalidade e os seus benefícios! Passeie connosco!

Andar a cavalo é relaxante. Sentir o vento no rosto, a liberdade e a velocidade desta prática enchem a nossa mente de fantasia e transportam-nos para campos verdejantes, amplos e cheios de paz. Porém, quando voltamos à realidade, lembramo-nos que para dominar um cavalo, não podemos contar apenas com a força de vontade. É necessário técnica, conhecimento e respeitar o animal.

Um aluno que nunca tenha montado a cavalo tem que começar por aulas de iniciação ao volteio, que são aulas que servem para os alunos ganharem equilíbrio e estarem à vontade em cima do cavalo”, explica Hugo Teixeira, instrutor e um dos responsáveis técnicos do Centro Hípico Trote S.A. , localizado em S. Victor, em Braga. Os primeiros passos nesta modalidade desportiva são importantes para acostumar o atleta ao animal e, assim, desenvolver as atividades decorrentes desta prática elegante e benéfica para a saúde.

O hipismo desenvolve a postura, o equilíbrio e a coordenação motora e o praticante ganha força e resistência. Para os que fogem do ginásio, o hipismo pode ser uma solução, pois em cerca de meia hora, os movimentos típicos da atividade promovem quase 2 mil ajustes tónicos e contrações musculares e a exigência do desporto promove um gasto calórico equivalente ao de um passeio de bicicleta. Estima-se que uma pessoa de 70kg gaste cerca de 200 a 250 calorias por hora de aula de equitação, mas, para produzir o efeito desejado, é indicada a prática do hipismo de 2 a 3 vezes por semana. Além do gasto calórico, a postura necessária para a prática tonifica a coluna vertebral, dorsal e o abdómen, o que diminui as dores lombares.

A falta de espaços dedicados a esta modalidade na cidade foi o motivo para que o Centro Hípico Trote S.A. fosse inaugurado. A estrutura oferece atividades didáticas e também é palco de concursos. Foram realizados no Centro Hípico Concursos Nacionais de Obstáculos e Campeonatos de Equitação de Trabalho, Campeonatos Interescolares, Campeonato de Equitação Adaptada, entre outros. Durante todo o ano, realizam-se provas de obstáculos e grande parte dos praticantes que procuram o local são adeptos do Hipismo como desporto.

“O nosso Centro Hípico pertence à Rede Nacional de Centros Hípicos Federados e está aliado à Federação Equestre Portuguesa. Todos os alunos que praticam equitação aqui no Centro são Federados. Não há idade mínima nem máxima para praticar Hipismo, temos alunos dos três aos sessenta anos. Há provas que diferenciam as idades e outras não, o que permite a interação entre estas faixas etárias”, explica Hugo Teixeira.

O Hipismo, além de fazer bem à saúde física, é conhecido como um desporto indicado para o combate ao stress e à ansiedade. A interação entre humano e animal tem raízes profundas na história e no Trote, onde está sediada a Associação de Equitação Terapêutica de Braga, ainda é possível realizar a sessões de Hipoterapia, modalidade que se destaca pelos seus resultados. “Há utentes que possuem dificuldades a nível motor ou problemas em interagir com outras pessoas. Tentamos através da equitação combater estas dificuldades”, elucida Hugo Teixeira. A atividade pode ser responsável pelo estímulo do crescimento em crianças, funcionamento do aparelho digestivo e melhorias significativas do tónus muscular. A equitação também traz benefícios para o sistema neurológico, ao equilibrar os ritmos dos batimentos cardíacos e aumentar o poder de coordenação psicomotora.

O Trote tem uma parceria com a Câmara Municipal de Braga, escolas da região, com o Regimento de Cavalaria n.º 6 e realiza diversos eventos em colaboração com as várias entidades. As aulas, festas de aniversário temáticas e outras atividades têm toda a segurança e são ótimas para um contacto saudável com os animais. As inscrições podem ser realizadas no próprio Centro Hípico e, para os interessados em praticar este desporto, é possível realizar uma aula experimental. Uma opção diferenciada na cidade que alia a saúde e o trato com os animais.

O Desporto

A história do hipismo remonta a 1.360 a.C, quando foi elaborado o primeiro tratado de adestramento pelo treinador e professor de equitação Kikkulis, do antigo reino de Mitanni, que hoje abriga parte das terras da Turquia, Síria e Iraque. Os cavalos já estavam presentes nas Olimpíadas da Grécia Antiga, mas somente no século XIX surgiu a prática do salto como competição, aliado ao costume de nobres europeus – especialmente ingleses – de praticarem a caça à raposa, onde os cavalos precisavam de saltar troncos, riachos, pequenos barrancos e outros obstáculos encontrados pelos caçadores nas florestas. O desenvolvimento da atividade ocorreu no século XX, com a criação das primeiras pistas com obstáculos exclusivamente para a prática de saltos. O hipismo como hoje é conhecido surgiu em 1883, nos Estados Unidos, e fez parte do programa da primeira Olimpíada da Era Moderna, em 1896, em Atenas, como desporto de demonstração. Entretanto, apenas foi incorporado definitivamente nos Jogos Olímpicos em 1912, em Estocolmo. Uma característica particular do hipismo é que homens e mulheres podem competir juntos com as mesmas possibilidades de vitória, diferindo de outros desportos. Sem divisão por sexo, os concorrentes são separados conforme a idade. Entre outras curiosidades, o hipismo regista dois dos três atletas mais velhos de todos os tempos em Jogos Olímpicos. O austríaco Arthur von Pongracz tinha 72 anos quando participou em 1936 nas Olimpíadas de Berlim, assim como a britânica Lorna Johnstone, que competiu aos 70 anos, em 1972, nas Olimpíadas de Munique.

Cuidados com os Nossos Amigos

Apesar do tamanho e do seu histórico em combates, os cavalos são animais muito sensíveis e precisam de cuidados específicos. Devido à domesticação progressiva, a alimentação dos cavalos foi alterada e, se antes comiam de acordo com a oferta em campo aberto e a sua liberdade, hoje contam com uma dieta controlada e consoante o esforço físico a que estão sujeitos. Forragem, cereais, fibras, rações compostas e guloseimas como maçãs, beterrabas e cenouras devem ser ministradas por ordem e não podem ser disponibilizadas ao animal de uma só vez. O espaço destinado aos cavalos deve ser arejado e limpo, assim como os animais, que precisam dos cascos e pêlo sempre limpos, aparados e escovados. Para os banhos, são escolhidos os dias quentes e os shampoos devem ser preferencialmente fungicidas. São inúmeros os cuidados para que os cavalos estejam sempre bem dispostos e saudáveis.

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