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Trânsito desafia Braga a “reinventar-se” para uma mobilidade sustentável

crescente e cada vez mais caótico trânsito automóvel, aliado ao estacionamento descontrolado, é hoje considerado como um dos principais problemas na cidade de Braga. “Formatada”  para a circulação automóvel, a capital do Minho foi, durante décadas, ajustando todo o seu desenho urbano a este propósito. É disto reflexo o traçado das vias de grande velocidade que atravessam a cidade, as urbanizações, bem como a amálgama de túneis, passagens superiores e inferiores que, tendo sido criadas para facilitar o tráfego, em alguns casos, só não são hoje desativadas por falta de alternativas e porque é impossível “apagar” por completo toda uma urbe e voltar a concebê-la de raiz, numa altura em que Braga se assume como a terceira cidade do país e o segundo melhor destino turístico europeu.

São pois muitos os desafios que se colocam relacionados com o tráfego e com a mobilidade em Braga, e que passam  por garantir a acessibilidade, salvaguardando a segurança rodoviária, a inclusão e o respeito pelos sistemas de transporte com menos impacto ambiental. Os bracarenses mostram diariamente a sua indignação, mas perante o desconhecimento e a estupefação de alguns, eis que está em projeção uma nova cidade em que a excessiva quota de transporte individual é substituída pelos meios coletivos e  menos poluentes, rumo a padrões de mobilidade urbana cada vez mais sustentáveis e, em suma, projetando um futuro melhor para os vindouros.

 

Um dos grandes entusiastas da “nova” cidade que se constrói é o vereador do Urbanismo, Planeamento, Ordenamento e Mobilidade da Câmara Municipal de Braga, que admite que o desafio “é grande e paradoxal” pois “urge resolver os problemas de mobilidade, de fluidez e de circulação de trânsito”, mas simultaneamente é preciso “fazer todo um caminho de pós-modernidade, alterar os nossos hábitos e ter uma vida mais saudável”.

Em entrevista à Revista Minha, Miguel Bandeira objetou que, além das transformações físicas inerentes à necessária reestruturação da circulação automóvel na cidade, é imprescindível a criação de uma consciência cívica e ambiental.

A este propósito o vereador declarou que o Município tem criado todo um conjunto de medidas que visam a educação para a mobilidade urbana sustentável desde a mais tenra idade, não descurando a inevitável intervenção física de que a cidade necessita, e que implica um complexo de projetos em planeamento ou já em execução.

O projeto mais visível, apesar de ser o mais abstrato de toda esta intervenção, é a realização de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PAMUS), que será apresentado para discussão pública em finais deste mês de outubro, promovendo o desencadear de um debate alargado sobre o assunto até ao final deste ano.

O PAMUS implicará a adoção de medidas que promovam padrões de mobilidade urbana sustentável, passando pela promoção dos modos suaves, pela melhoria da oferta do sistema de transportes públicos, pelo reforço da intermodalidade do sistema de transportes coletivos e pela implementação de medidas de sistema inteligente de controlo de tráfego.

“Será este Plano de Mobilidade que vai condicionar todo um conjunto de opções algumas das quais já em curso, como o projeto Eu já passo aqui, que até nasceu do Orçamento  Participativo, e que prevê a intervenção em 81 atravessamentos, em 19 000 m2 de passeios e a criação de 61 passadeiras sobrelevadas e inteligentes junto aos estabelecimentos escolares. Destaque ainda para a implementação das designadas Zonas 30, que já se traduzem em obras em quatro zonas da cidade, designadamente nos quarteirões da Makro, Torre Europa, Quinta da Fonte e Montélios”, explanou.

As Zonas 30, empreitadas com um valor superior a dois milhões de euros, financiadas pelo Programa Operacional Norte 2020, assim se designam pela implementação da velocidade limite de 30 km/hora em áreas residenciais com comércio elevado ou na proximidade de equipamentos escolares.

“A chamada «velocidade 30» é reconhecida por estudos como aquela que garante a possibilidade de um carro parar a tempo quando uma bola atravessa a estrada ou um idoso passa numa passadeira. É a velocidade que permite privilegiar o peão, reduzindo a existência e gravidade de acidentes”, explicou Miguel Bandeira.

Apontando a sinistralidade como um dos aspetos mais graves no concelho e designando de “inadmissíveis” os números dos atropelamentos em Braga, o vereador aponta ainda como principais objetivos da criação de Zonas 30 a diminuição do tráfego de atravessamento indesejado e o reordenamento dos fluxos, evitando passagens desnecessárias pelo centro dos bairros.

“Pretende-se  atribuir uma coerência de valorização identitária dos bairros, no sentido de qualificar a vida de quem aí vive e o espaço público, mas sempre através da intervenção na mobilidade”, elucidou, adiantando que os fundos europeus presentemente atribuídos privilegiam a mobilidade urbana sustentável e a descarbonização.

No que às Zonas 30 diz respeito, os objetivos serão concretizados através da implementação de percursos pedonais acessíveis, com foco na circulação por parte de pessoas com mobilidade reduzida, e através da instalação de passadeiras sobrelevadas que funcionem como medida de acalmia de trânsito.

A colocação de passadeiras com pavimento podotátil, destinadas a cegos, a introdução de rampas acessíveis, o alargamento de passeios e a retirada de barreiras urbanísticas são outras das medidas que se traduzem em obras que já arrancaram nos quarteirões de Montélios e da Quinta da Fonte em meados de agosto, e nas áreas da Torre Europa e da Makro no início de setembro.

Por seu turno, o vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, João Rodrigues, que na prática assume a responsabilidade pela implementação de todas as empreitadas previstas no domínio do pelouro da Mobilidade, realça que as chamadas Zonas 30 se destinam sobretudo a “reformular” projetos de urbanismo de áreas privadas que não se adequam à lógica do “peão primeiro”.

“Tentamos, com aquilo que já temos, remediar questões como o espaçamento entre edifícios, em prejuízo do próprio espaço público, o tamanho dos passeios e dos próprios bairros”, diz.

João Rodrigues revelou que, a par deste projeto mais destinado aos bairros residenciais, e além do Eu já Passo Aqui, Braga vai intervencionar, em todo o concelho, cerca de 400 passadeiras já identificadas, não só através da repintura, mas também através da colocação dos designados “olhos de gato”. Só na zona urbana serão intervencionadas cerca de 60 passadeiras, localizando-se as restantes nas freguesias rurais ou periféricas.

“Realço aqui o trabalho realizado pela equipa de Trânsito da autarquia, que passa muito despercebido. A equipa está atualmente em Pedralva, a virar a freguesia do avesso para resolver questões como vias demasiado estreitas, sentidos de trânsito que não fazem sentido, acidentes que poderiam ser evitados”, revelou.

Para melhor esclarecer a dimensão dos vários projetos paralelos em curso ou em projeto para Braga, João Rodrigues avança uma listagem de empreitadas previstas no “acordo-quadro”, que se encontram executadas, em elaboração ou ainda em fase de análise, mas que dão conta das alterações que a cidade protagoniza ou assumirá nos próximos tempos.

A título de exemplo, a aguardar projeto da Divisão de Trânsito e Mobilidade (DTM) estão intervenções como o pavimento rodoviário na Avenida Conde de Agrolongo, o pavimento rodoviário de duas áreas de paragem semaforizadas na Avenida da Liberdade, a repavimentação da Rotunda do Parque da Ponte ou da Rua Conselheiro Lobato, todos eles na União de Freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto), entre inúmeras outras.

Feira Semanal sem alternativa

Já a localização da Feira Semanal na zona da Rotunda do Parque da Ponte, cortando assim o acesso à nacional para Guimarães, que tem sido um dos pontos mais contestados pelos bracarenses, não terá, segundo João Rodrigues, alterações para breve, precisamente “por falta de alternativa”.

“Pelo investimento que foi feito e o destino que tínhamos previsto para o Forum Braga defendemos que não seria conveniente realizar a feira naquele local, pelo que a alternativa seria ou fazê-la no atual espaço ou desviá-la para fora do centro da cidade, alternativa esta que não nos parece de todo conveniente para os bracarenses”, adiantou, realçando que os que apontam como possível alternativa o recinto exterior do Estádio 1.º de Maio não têm conhecimento de que essa área é completamente inviável por falta de espaço.

A autarquia tem já previstas inclusivamente intervenções para aquela zona na ordem dos 500 mil euros, precisamente para dar dar mais conforto aos feirantes e aos fregueses.

Segundo João Rodrigues, as obras incidirão sobretudo na zona das traseiras do Arsenal Clube da Devesa, que será calcetada, e onde serão instaladas casas de banho, entre outros melhoramentos.

“Desatar” o Nó de Infias

Falar de mobilidade na cidade é inevitavelmente abordar o “problema Nó de Infias”, um dos pontos mais negros do trânsito em Braga, cujo projeto já foi publicamente apresentado e cuja implementação será faseada, permitindo gerar algumas medidas de fluidez dentro do próprio Nó.

Embora já estejam negociadas medidas de curto prazo que não comprometem a solução final, passando, por exemplo, pela duplicação da via de saída do centro da cidade para o Nó de Infias, o efetivo “desatar” do Nó ainda não tem início marcado porque a obra não é da responsabilidade exclusiva da Câmara, que a partilha com as Infraestruturas de Portugal, garantindo um financiamento da administração central.

“Hoje em dia as médias e pequenas autarquias não têm capacidade financeira para executar todos os projetos que envolvam infra-estruturas rodoviárias e que cada vez mais têm implicações sistémicas ao nível supra-municipal. Portanto, o Governo, dentro da sua lógica de descentralização, tem que olhar mais além das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa e pensar que a realidade de tráfego é já vivida em muitas das cidades médias do país”, disse Miguel Bandeira.

Já no que à Variante do Cávado diz respeito, o concurso público para a conclusão do segundo troço foi recentemente aprovado, aguardando-se que a obra, no valor de 1,6 milhões de euros, permita “aliviar o fluxo de trânsito” no acesso ao centro da cidade.

Além destas, Miguel Bandeira classifica ainda a questão das “ciclovias” como “candente” e esclarece que elas se encontram incluídas na Zonas 30, devendo cada vez mais percorrer-se um caminho em que a circulação velocipédica, de trotinetes, skates e patins seja articulada com o trânsito existente, alterando assim mentalidades.

“Os condutores automóveis têm que se habituar a conviver com outros meios de transporte público e os velocípedes têm que  conviver com os peões, o que nem sempre acontece”, afirmou.

Acrescenta, contudo, que a requalificação e ampliação da Ciclovia da Variante da Encosta, em concreto, que prevê um investimento de 2,8 milhões de euros, só não avançou ainda porque o projeto foi contestado.

A proposta da autarquia, que se encontra enquadrada no conjunto de iniciativas previstas no PAMUS, contempla a reabilitação integral dos cinco quilómetros da ciclovia da Variante da Encosta, no eixo formado pelas avenidas
D. João II, Alfredo Barros e dos Lusíadas e sua extensão em 1,8 quilómetros até à entrada principal da Universidade do Minho.

TUB assumem fiscalização de 44 ruas

Os Transportes Urbanos de Braga (TUB) assumem, a partir de novembro, a gestão do estacionamento de superfície em Braga, encarregando-se da fiscalização de 44 ruas e 1900 lugares com parcómetros na cidade, ou seja, mais 11 ruas e 500 lugares do que os atuais. Os preços por hora sofrerão, contudo, uma redução, passando de um euro para 80 cêntimos, numa medida que visa libertar a Polícia Municipal para outras tarefas, e que se traduzirá num aumento de receitas para os TUB, que investirão as receitas arrecadadas na melhoria dos serviço de transporte públicos.

O vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, João Rodrigues, salvaguarda que “na alçada da Câmara Municipal e, logo, do seu pelouro, continua a capacidade de definir quais são as ruas onde se paga ou não e quais as exceções, mas o facto da fiscalização passar para os TUB permite que se reverta o montante arrecadado para reinvestir em mobilidade”.

“Hoje  a Polícia Municipal perde metade do seu tempo a fiscalizar o estacionamento pago enquanto podia ganhar a totalidade a fiscalizar o estacionamento em segunda fila, em que os TUB não terão qualquer intervenção”, sustenta João Rodrigues.

A este propósito, o vereador Miguel Bandeira “não tem dúvidas” de que a transição para os TUB permitirá um efetivo melhoramento da mobilidade na cidade, permitindo à Câmara poder voltar a intervir diretamente no estacionamento, aspeto que até há pouco tempo lhe estava vedado no centro da cidade devido à privatização.

Para Miguel Bandeira “Braga não tem falta de estacionamento” e é inclusivamente “uma das cidades que tem uma maior relação de lugares de estacionamento por habitante no centro”, mas os preços e os sistemas de rotatividade não vão ao encontro do interesse público.

Também o administrador executivo dos TUB, Teotónio dos Santos, vê com esperança a atribuição destas novas competências e adianta que será criada uma equipa para o efeito, implicando a contratação de seis pessoas numa primeira fase.

Em entrevista à Revista Minha, Teotónio dos Santos apontou o estacionamento desregrado e em segunda fila como uma das principais barreiras ao trânsito dos transportes públicos passageiros no centro de Braga.

“Fruto da dificuldade da Polícia Municipal em fiscalizar o estacionamento à superfície, temos verificado que o incumprimento é muito grande e o estacionamento em segunda fila tem vindo a aumentar exponencialmente. Pensamos que com a melhoria da gestão do estacionamento, fruto de uma maior fiscalização, aliada ao progresso da oferta do transporte público, podemos vir a gerar uma mudança para melhor na fluidez do trânsito”, considerou o gestor.

Adiantando que o transporte individual está estacionado 90% do tempo e o transporte comercial 60%, Teotónio dos Santos afirmou que o estacionamento em segunda fila penaliza fortemente a circulação e a velocidade comercial dos autocarros, adiantando ainda que os estudos demonstram que a dificuldade de aparcamento à superfície faz com que os condutores façam diariamente uma média de 4,5 kms à procura de estacionamento na cidade, o que causa ainda mais constrangimentos à circulação, dificultando sobremaneira o acesso ao centro urbano.

“Admitimos que a cidade cresceu orientada para o transporte individual, como comprova, desde logo,  a construção de milhares de lugares de estacionamento em parques no centro. O transporte individual desloca–se no sentido do centro para estacionar, criando mais congestionamento”, avançou.

A circulação dos autocarros dos TUB é por isso mais dificultada em alguns troços, desde logo aqueles que estão diretamente relacionados com o crescimento da cidade, havendo zonas nevrálgicas que são apontadas pelos motoristas como fonte de “dores de cabeça”, “stress” e eventuais atrasos nos transportes coletivos bracarenses.

“Quem quer aceder a Norte, a partir da Senhora-a-Branca ou da Avenida Central, tem duas alternativas: ou vai pela Rua de Santa Margarida, e vai esbarrar na congestionada Rotunda de Infias, ou vai subir a Rua dos Chãos, que sofre um estrangulamento do trânsito a norte, fruto do deficiente urbanismo na zona do Largo dos Penedos. Em particular este último percurso é muito percorrido pelos autocarros dos TUB. A estes pontos negros para nós juntam-se outros, como a Avenida Padre Júlio Fragata, a zona junto à Universidade do Minho, sobretudo nas horas de ponta, ou a zona do Colégio João Paulo II, em Dume, nos horários de entrada e saída dos alunos”, exemplificou Teotónio dos Santos, adiantando que os TUB têm vindo a analisar estes troços mais complicados em articulação com o Município, apresentando um conjunto de soluções que serão aplicadas na Rotunda de Infias, a título de exemplo, bem como nas Zonas 30.

Segundo Teotónio dos Santos, em plena hora de ponta circulam pelo concelho 111 veículos dos TUB, incluindo no centro urbano, estando sujeitos a atrasos variáveis mediante o trânsito, apesar dos horários terem sido desenhados tendo em conta a real situação do tráfego e a eventualidade de atrasos.

“Tentamos adotar formas de garantir a execução dos horários de maneira a não prejudicar os passageiros, porém, em vias estruturantes, quando há um carro mal estacionado, um acidente, ou uma avaria, ficam condicionadas várias linhas, causando um sem número de derivações ao longo da rede”.

Mais 17% de utilizadores em seis anos

Teotónio dos Santos lembra que a necessidade de acesso ao centro de Braga tem também aumentado, fruto do crescimento da economia e do fenómeno da imigração, congestionando cada vez mais o trânsito e levando a empresa municipal a enveredar por uma campanha de transição para o transporte público coletivo e de captação de clientes, que se traduziu no aumento de 17% de passageiros desde 2013.

“E continuamos a melhorar as nossas linhas e a investir na oferta para tentar captar mais pessoas, evitando a utilização do transporte individual. Só no final deste ano teremos mais quase dois milhões de clientes do que tínhamos há seis anos, fruto da melhoria de oferta, do congelamento dos tarifários e inclusivamente da redução que houve este ano”, revelou.

De acordo com o administrador, os novos “eco-veículos” dos TUB realizaram um percurso de 200 mil kms num ano, com um consumo de energia que representou uma poupança de mais de 50% comparativamente a um veículo diesel.

“São tecnologias novas e tivemos alguns problemas que estamos a tentar mitigar para que a geração futura dos novos elétricos já consiga responder a problemas como a capacidade das baterias e a questão dos carregamentos”, adiantou, acrescentando que “o feedback por parte dos clientes é muito positivo”.

Os procedimentos para a aquisição de mais sete veículos elétricos e mais 25 a gás já estão em curso, estando a ser ultimada a questão do investimento financeiro.

School Bus e Kiss &Go ajudam a “salvar” trânsito no perímetro das escolas

Este ano letivo 2019/2020, o Município de Braga, em parceria com os TUB, volta a promover o projeto School Bus, que visa reduzir o congestionamento automóvel no perímetro das escolas da malha urbana da cidade.

Implementado no ano lectivo transato, o School Bus visa ainda a promoção da mobilidade sustentável, da segurança e da qualidade de vida na envolvente das escolas e nos percursos casa-escola, incentivando ao uso de meios de transporte mais sustentáveis.

Este ano o projeto abrange os seguintes estabelecimentos de ensino: EB 2,3 Francisco Sanches, EB 2, 3 André Soares, Colégio Leonardo da Vinci, Colégio D. Diogo de Sousa, Colégio Teresiano e o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian.

No ano passado, o School Bus teve a adesão de mais de 400 alunos e conseguiu retirar cerca de 170 veículos das imediações das escolas, representando uma poupança diária calculada de 14 km por cada veículo. Em termos de emissões, a poupança ascendeu a cerca de 165 toneladas de CO2/ano lectivo.

“Neste momento aponta-se para a capacidade do School Bus acolher quase 450 crianças e jovens. Mantêm-se as mesmas zonas. Mas é importante não confundir: o School Bus não é um dispositivo para substituir o transporte escolar, que tem uma dimensão social inalienável e que nós apoiamos e empenhamo-nos de um modo muito firme e veemente”, esclareceu o vereador Miguel Bandeira, justificando que “o School Bus foi criado para impedir os chamados pontos negros de congestionamento junto às escolas”.

O serviço  foi avaliado pelas famílias como “muito bom/excelente” e as próprias escolas veem com agrado a iniciativa, realçando o seu caráter educativo na criação de hábitos de mobilidade e comportamentais.

“Nós estamos em condição de poder atingir, no final deste ano – só depois é que avaliaremos – 374 veículos retirados da via pública sobretudo com as implicações que eles têm, também indiretas, ao nível do congestionamento de trânsito em Braga”, esclareceu, adiantando que, sendo o School Bus um dos projectos inseridos no BUIL – Laboratórios Urbanos para a Descarbonização, financiado pelo Fundo Ambiental, a Câmara Municipal de Braga está obrigada à apresentação de resultados em termos de descarbonização, dando resposta aos requisitos da União Europeia, que tem sistemas de observação cada vez mais rigorosos a esse nível.

O Kiss &Go é outra das medidas implementadas pelo Município de Braga com o objetivo de melhorar a segurança, acesso e mobilidade às zonas escolares.

A iniciativa nasce de um conceito internacional adotado por várias cidades com impacto positivo, que consiste na reserva de lugares de paragem destinados unicamente à tomada e largada de crianças. Os automóveis devem parar apenas durante um minuto, estimando-se que, neste período de tempo, as crianças saiam do automóvel com as mochilas, sem que o condutor desligue o motor, de maneira a que fique assim assegurada a reserva do lugar para o veículo seguinte.

Por cada cinco lugares demarcados, cumprindo-se o tempo estipulado de um minuto, garante-se o acesso a cerca de 50 automóveis em cada 10 minutos aumentando o fluxo de trânsito e a segurança rodoviária junto das escolas.

João Rodrigues considera que o Kiss &Go “poderia funcionar melhor, mas têm que ser cumpridas regras, a par de mais fiscalização e de uma mudança de comportamento das pessoas”.

Os vereadores Miguel Bandeira e João Rodrigues apontam os projetos School Bus e Kiss &Go como sendo mais um esforço no sentido de resolver o caótico trânsito no perímetro que circunda as escolas e uma forma de privilegiar o público escolar, que ambos consideram ser “o foco transformador para a necessária mudança na mobilidade e no trânsito”.

Em articulação com estas medidas e tendo como objetivo este mesmo público, também os TUB têm em processo, desde 2015, uma campanha designada Transportes e Cidadania, uma iniciativa destinada às escolas que visa sensibilizar para a utilização dos transportes públicos e incutir boas práticas de segurança.

Em jeito de conclusão, Miguel Bandeira alerta, porém, que “é preciso não cair em fundamentalismos, pois é óbvio que o carro tem que continuar”.

“Só não pode circular com os índices de expectativa que muita gente pretende. Não é possível que cada casa do centro histórico tenha uma garagem automóvel e muitos operadores insistem muitas vezes na necessidade de uma cidade que existiria à revelia dos nossos tempos e não está a contribuir para aquela em que todos temos que participar. Estamos construir o futuro, mas nunca há conclusão. Esta é uma matéria infindável”, afirmou.

       

1 Comentário

  • João Carvalho

    Bom dia
    Li com atenção a publicação acima descrita, mas gostaria de ressalvar o que se passa na Rua Quinta de Sta.Maria, onde se encontra o parqueamento da TUB e onde existem quase uma dezena de empresas com uma certa dimensão de funcionários que tem que vir para esta zona trabalhar, não contando com os funcionários da TUB e dos respectivos autocarros que ao longo do dia circulam nesta Rua, bem como camiões que vêm a estas empresas carregar e descarregar mercadoria (Montagut, MCM, etc). Como devem de calcular o movimento é por vezes caótico. Tenho verificado que é dramático o estacionar nesta zona para os funcionários que todos os dias têm que vir trabalhar e para meu espanto volta não volta vem uma patrulha da Polícia passar coimas a viaturas que não estão a condicionar o trânsito mas que alguém resolve fazer uma queixa à Polícia e como não têm possivelmente muito que fazer, pois continuamos a ver motos com escape livre a poluir o ambiente, carrinhas a largarem fumos tóxicos por mau funcionamento, pseudo-pilotos de corrida a excederem os limites de velocidade, já para não falar da constante contra-ordenação da falta de sinalização para mudança de direcção que os condutores são obrigados a fazer (esquecem-se que tem um manipulo no carro para esse fim). Gostaria que um dia a autarquia fizesse uma medição do fluxo e poluição do trânsito desde a rotunda na avenida Cidade do Porto, rua Quinta de Santa Maria até à rotunda junto à Sond’Art.
    Agradeço o tempo que me dispensara na leitura e que em breve algo seja resolvido.
    Com os meus cumprimentos.

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