Opinião

Mãe

Perguntaram-lhe um dia qual era o ser mais extraordinário que conhecia, a ele que nunca soube ser nada e sem querer tornou-se no tudo que nunca quis ser. 

– São as mães – respondeu.

As mulheres que se contorcem de dor e que ao mesmo tempo sorriem com a extraordinária possibilidade que lhes é dada, de viverem para sempre com as dores do mundo inteiro, de carregarem nos ombros um peso que as faria rebaixar e que surpreendentemente, ao invés de se deixarem cair, as faz levantar e ainda assim sorrir. E as outras mulheres, essas que sofreram por nunca sentirem a mesma dor, que a invejam tanto que o seu coração cresce e é capaz de se abrir ao meio, para que caiba nele esse mesmo amor, tão grande  que as faz querer uma criatura estranha nascida fora de si, mas que é já mais sua do que de qualquer outra pessoa que a tenha algum dia carregado no ventre. 

Esse universo que se descobre assim que se ouve a palavra Mãe, que não precisa ser maior para abarcar nela o maior milagre da humanidade, o de amar para sempre e sem moeda de troca.

E esse amor tão igual que cabe só no coração de uma mãe e que só outra pode entender.

Essa mãe que se chama Maria, Joana ou Miguel, porque um nome é só um nome, e as circunstâncias da vida são as que nos fazem crescer e entender que para ser mãe é só preciso ter a maravilhosa habilidade de nunca questionar e aceitar que jamais haverá riso sem lágrimas, orgulho sem humildade e vida sem medo. 

De ora em diante o tempo parece ser curto demais e nem os dias longos apagam à noite a saudade dessa manhã.

Seres fortes e doces, fracos e azedos, a tormenta e a calmaria na mesma tempestade. 

De voz esganiçada mas sorriso aberto e abraços largos, o porto de abrigo perfeito, a refeição quente e o aconchego bom.

Longe de todos os perigos do mundo é nesse abraço apertado que todos os filhos querem estar. 

Mãe, essa palavra sem género que designa um exército de seres transcendentes, gigantes e que com uma única arma fulminam qualquer ameaça que se aproxime. A única epidemia sem vacina. A única arma contra os males do mundo, está já ali. No seu colo. Nas suas palavras, No seu olhar.

– Mãe é o ser mais fantástico que conheço e o único que quero ser – disse o Miguel a quem lhe perguntou e o achou louco porque o que dizia era sem nexo. O Miguel que sempre viveu com a sua avó a quem na escola chamava de mãe. 

Mãe, ele também.

 

Sofia Franco
www.notjust4mums.wordpress.com
@notjust4mums

 

 

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