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«O mês de Dezembro é, para muitas empresas do comércio, serviços e turismo, uma “tábua de salvação”»

Entrevista ao presidente da Associação Empresarial de Braga (AEB), Domingos Macedo Barbosa

Em entrevista à Revista Minha, o presidente da Associação Empresarial de Braga, Domingos Macedo Barbosa realça o papel do comércio tradicional de Braga na dinâmica económica da cidade e aponta as expetativas para esta quadra natalícia.

Nesta época natalícia, apesar de todas as limitações que a pandemia trouxe, o que está previsto realizarem na promoção do comércio local e para trazerem os consumidores ao centro da cidade?

Todos os anos realiza-se o Braga é Natal, uma iniciativa com uma força enorme, realizada pela Câmara Municipal de Braga (CMB), em parceria com a Associação Empresarial de Braga (AEB). É uma festa prolongada, muito participada e com inúmeras ações culturais, gastronómicas, com dezenas de espetáculos e animações. Destaco também o Bolo Rei Gigante, que promovemos todos os anos, na rua, confecionado por dezenas de pastelarias do concelho e que junta centenas de pessoas para comer uma fatia e brindar com um favaíto. Neste momento, aguardamos com expetativa a evolução da pandemia Covid-19, para decidirmos se poderemos realizar estas e outras iniciativas e assinalar o Natal de forma normal. A situação atual não nos permite planear estas situações, porque de um momento para o outro, poderemos ter que cancelar!

As vendas de Natal e Ano Novo já estão a decorrer. Em que medida podem atenuar os prejuízos registados pelas empresas ao longo dos últimos meses?

Em anos normais, dezembro é um mês por excelência para toda a atividade comercial ou económica da cidade. Todos os setores criavam sinergias entre si e as vendas decorriam com força. Isto não aconteceu em 2020 e, este ano, estamos, como disse anteriormente, com expetativa para ver como as coisas evoluem. Se a realidade for favorável, acredito que voltaremos a um passado recente, pré-pandemia e, com um ano muito positivo. Caso contrário, os números podem-se aproximar daqueles que foram registados o ano passado. A verdade é que dezembro é, a par com o período da Páscoa, o melhor mês do ano para todo o comércio de Braga. Ficaria muito feliz se, este ano, o volume de negócios voltasse a ser positivo, porque esta quadra é, para muitas empresas do comércio, serviços e turismo, uma “tábua de salvação”!

No contacto com os comerciantes que impressões tem tirado? Há pessimismo ou, pelo contrário, estão confiantes?

Até há poucos dias atrás, notava-se muito ânimo nos comerciantes. Atualmente, também devido a algumas noticias pouco favoráveis da evolução da pandemia, nota-se alguma renitência relativamente ao futuro e ao desejo de se efetuar um bom nível de negócios.

E quais são as expetativas da AEB para esta quadra?

Esperamos que a situação não se agrave e que tenhamos condições para realizar um mês positivo, porque as empresas estão necessitadas de refazer tesouraria. Infelizmente, não dominamos esta realidade que vivemos e resta-nos aguardar por indicadores favoráveis…

«Espero que a situação não se agrave e que tenhamos condições para realizar um mês positivo, porque as empresas estão necessitadas de refazer tesouraria»

Em termos de aceleração de negócios, se as condições decorrentes da evolução da Covid-19 forem favoráveis, que indicadores há para os estabelecimentos de restauração e bebidas, comparando com o último ano que já não foi positivo?

Penso que será um ano melhor ou, pelo menos, igual a outros na pré-pandemia. A cidade vinha a afirmar-se de ano para ano e só abrandou quando a pandemia apareceu. Era espetacular se voltássemos aos níveis de 2019. Quero reforçar que, no contexto atual, a restauração e similares foi o setor que mais reforçou a sua presença e posição na cidade. O que é de louvar!

E no que diz respeito às áreas do comércio, turismo e serviços, que quantia prevê que seja transacionada durante o mês de dezembro?

Dado o posicionamento da cidade na última década, principalmente, no setor do turismo, com uma oferta muito direcionada para a procura, vínhamos numa toada de aceleração em termos de vendas. Neste momento, é arriscado falar em números. Mas faço questão de deixar uma palavra de confiança a todos os comerciantes e empresários, para que acreditem que é possível controlar esta fase mais complicada. Quero também apelar à DGS para que crie medidas ajustadas, de forma a não prejudicar as empresas, porque todas elas vivem de negócios e a sustentabilidade dos empregos e das suas despesas diárias dependem da respetiva faturação.

«Hoje em dia, os novos negócios criados no centro são muito orientados para quem nos visita e para quem pretende conhecer a cidade»

Há alguma relutância em adiantar números, mas, relativamente ao fluxo de visitantes e consumidores no centro da cidade, que número esperam neste período?

transações ou vendas para os lojistas. Neste momento, não posso criar falsas expetativas. É fundamental que o contexto não se agrave! Se, porventura, as condições forem favoráveis, acredito que os números registados alcancem esse patamar. Durante os meses de dezembro, passam sempre aqui pelo centro histórico, cerca de 20 mil pessoas por dia. É um número enorme que se manifesta depois em

«Só com um conjunto de boas vontades de todas as partes é que poderemos, no futuro, melhorar o funcionamento dos centros comerciais da primeira geração»

As grandes superfícies comerciais são sempre um grande obstáculo à atividade do comércio tradicional. O que têm feito para contrariar essa situação, principalmente nestas datas tão específicas, como o Natal?

As grandes superfícies comerciais já não são um caso, na medida em que já o foram no passado. Os negócios locais ajustaram-se à procura, a cidade, fruto dos argumentos culturais e históricos, criou um posicionamento muito direcionado para o setor do turismo, a oferta de Braga sofreu também uma grande mudança e, hoje em dia, os novos negócios criados no centro são muito orientados para quem nos visita e para quem pretende conhecer a cidade. Para um público interessado em história, animação, cultura e memória. Temos, portanto, no centro histórico, uma oferta diversificada e diferenciadora das grandes superfícies comerciais, que estão muito direcionadas para colmatar necessidades de um público diferente e mais específico.

Nos últimos anos, a AEB tem defendido a reabilitação dos centros comerciais da primeira geração. Em que estado se encontra este propósito e …

Esses espaços foram objeto de um estudo realizado em parceria pela AEB e a CMB em que resultaram alguns indicadores, um deles diz respeito à dificuldade em implementar dinâmicas nessa tipologia de negócios. São espaços que estão aquém das suas possibilidades e do potencial que têm, desde logo, pela localização privilegiada no centro histórico de Braga. Face a um certo descrédito existente nesses espaços, é fundamental fazer uma mobilização dos empresários e tentar perceber as suas intenções. É preciso também que haja cooperação entre todos, nomeadamente, empresários, município e AEB. Só com um conjunto de boas vontades de todas as partes é que poderemos, no futuro, melhorar o funcionamento destes espaços.

«O comércio tradicional de Braga é muito qualificado, diversificado, com caraterísticas distintas de atendimento, instalações modernas e com uma localização privilegiada»

E um dos pontos que a AEB defende é a criação de uma equipa de gestão. É uma decisão fundamental e decisiva para a reabilitação que se pretende?

É a decisão mais acertada. Todos os intervenientes (empresários, senhorios, CMB e AEB) estariam imbuídos numa dinâmica que pudesse valorizar estes espaços, para que sejam úteis ao comércio de proximidade do centro histórico e responderem às necessidades dos bracarenses e de quem nos visita.

Que tipo de dinâmicas e/ou ações pensam realizar nesta vertente?

Terá de ser efetuado um plano com as ações apropriadas e adequadas a cada espaço, porque cada um apresenta a sua própria especificidade e o próprio público é diferente. Numa primeira fase, temos de ouvir todos os interessados e depois, sim, determinar o que poderá resultar em cada um dos locais.

Que mais valias/vantagens o comércio tradicional de Braga apresenta para cativar os consumidores?

É um comércio muito qualificado, diversificado, com caraterísticas distintas de atendimento, instalações modernas e com uma localização privilegiada. E prima por responder com enorme qualidade a todas as exigências dos distintos públicos, sejam locais ou turistas.

Sente que nos últimos anos tem existido uma aposta na modernização por parte dos lojistas?

Sem dúvida! Os empresários surgem cada vez mais com uma postura positiva, com uma dinâmica de valorização do seu próprio estabelecimento e com intenções de criar uma imagem apelativa e positiva.

Que tipo de animação considera ser essencial trazer para o centro da cidade de forma a ajudar o comércio tradicional?

Braga é uma cidade dinâmica, com muita animação ao longo do ano, com espetáculos e iniciativas de grande referência, como a Semana Santa, o S. João, a Braga Romana, a Noite Branca ou Braga é Natal. Nos últimos dois anos, não foi possível realizar estes eventos, mas, com certeza, quando voltarmos à normalidade, toda a animação estará de volta, mobilizará as pessoas para a cidade e o próprio comércio tradicional ganhará, obviamente, com isso. São eventos de massas fundamentais para a dinâmica cultural, social e económica da cidade.

Que balanço faz do ano 2021. Tem sido um ano mau para o comércio tradicional de Braga?

No primeiro semestre pensamos que as coisas iriam ser muito mais graves. A partir de junho e julho, quando as condições sanitárias melhoraram, os negócios começaram-se a reforçar de tal forma que, em agosto e setembro, chegamos praticamente ao nível de 2020. Convém recordar que nem todos os setores arrancaram em simultâneo. Nas últimas semanas estávamos numa dinâmica de crescimento e, neste momento, aguardamos novos desenvolvimentos da evolução da pandemia.

É possível fazer uma antevisão para 2022?

Dadas as circunstâncias atuais, é um pouco prematuro, mas estamos animados e confiantes de que vai ser um ano fantástico. Aliás, temo que haja alguma dificuldade no recrutamento de pessoal para colmatar as necessidades das empresas. É um problema atual que os políticos têm de resolver, porque de outra forma, estamos a prejudicar a economia do país.

Quais são os principais projetos que a AEB irá promover num futuro próximo?

Estamos constantemente com projetos na área da formação, em diversas áreas. Destaco também os eventos de animação que já são habituais, como o Vinho Verde Fest, as Sugestões do Chef, Sugestões de Beleza, e toda uma programação variada que, normalmente, a AEB leva a cabo todos os anos. São marcas consolidadas que continuaremos a promover e, no próximo ano, iremos reforçar. Entretanto, podem haver algumas novidades. Queremos inovar e os nossos objetivos passam sempre por animar a cidade e ajudar o comércio tradicional a crescer no seu todo.

«Os empresários têm sido uns autênticos heróis do país e têm ajudado na sustentabilidade das empresas, garantindo os postos de trabalho e ajudado na estabilidade de muitas famílias»

Para terminar, quer deixar uma mensagem para os associados e para os consumidores em geral?

Os nossos consumidores são muito fiéis ao comércio e aos negócios de Braga. Estamos muito satisfeitos com a sua postura e queremos que continuem a dar valor e primazia aquilo que é nosso, porque é nestas empresas que os nossos filhos trabalham e onde as nossas famílias conseguem os seus rendimentos. Continuem a dar prioridade ao comércio local e da nossa região. Aos associados e lojistas em geral, gostaria de dar-lhe uma palava de ânimo e confiança. Têm sido muito resilientes e têm encarado com coragem todas as dificuldades sentidas nos últimos dois anos. São uns autênticos heróis do país e têm ajudado na sustentabilidade das empresas, garantindo os postos de trabalho e ajudado na estabilidade de muitas famílias. Da parte da AEB, podem contar com proximidade, colaboração e total solidariedade.

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