Sem Treta

Todos os caminhos vão dar a Santiago

O Ano Santo Jacobeu 2021-22 traz um impulso acrescido aos Caminhos de Santiago. Importantes itinerários de peregrinação, são também percursos de descoberta pessoal e do território.

Os sinais com a concha de vieira e a seta existentes em diversas localidades da região convidam a partir à descoberta dos Caminhos de Santiago, especialmente neste Ano Santo Jacobeu. A celebração acontece quando o dia do Apóstolo Santiago, 25 de julho, coincide com um domingo, num total de 14 vezes por século. Excecionalmente, devido à pandemia de Covid-19, o Papa Francisco autorizou o prolongamento do Ano Jubilar por 2022, em que continuará a ser concedida Indulgência Plenária (perdão total dos pecados) a quem peregrinar até Santiago de Compostela. Esta celebração aumenta o número de peregrinos que percorrem os Caminhos de Santiago, com a região a querer aproveitar para captar mais visitantes, especialmente numa altura em que o turismo procura consolidar a retoma da atividade. Nesse sentido, o Turismo do Porto e Norte de Portugal está a apostar nos Caminhos de Santiago como um dos atrativos da região, capaz de contribuir para a coesão territorial e social, tendo em conta os negócios que são gerados nas localidades por onde estes percursos passam. Para divulgar o potencial da região, esta entidade promoveu em conjunto com a Fairway – Fórum do Caminho de Santiago, certame dedicado exclusivamente à temática jacobeia, uma visita de operadores turísticos e jornalistas internacionais centrada na apresentação do Caminho Português Central (178 quilómetros) e do Caminho Português da Costa (149,5 quilómetros), que atravessam o Minho.

 

 

 

 

 

O Turismo do Norte tem também destacado o Caminho Português Interior – recentemente certificado –, o Minhoto Ribeiro e o de Torres. Sendo o aeroporto Francisco Sá Carneiro encarado pelas autoridades nortenhas e galegas como uma das “portas de entrada” de visitantes internacionais para os Caminhos de Santiago, o percurso começou em Vila Nova de Gaia e no Porto, levando os agentes de Espanha, Austrália, Luxemburgo e Reino Unido a explorarem durante cinco dias alguns troços do Caminho, a história, o património, as paisagens e a gastronomia do Norte de Portugal e da Galiza. A Sé do Porto, a igreja românica de S. Pedro de Rates (Póvoa de Varzim), o cruzeiro medieval alusivo ao milagre do Galo e o Centro de Interpretação do Galo e da Cidade de Barcelos, o centro histórico de Ponte de Lima, o Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde e a fortaleza de Valença foram alguns dos atrativos apresentados em território português. Depois de se atravessar a ponte internacional Valença-Tui, destaque para o Monte de Santa Trega, com uma vista panorâmica deslumbrante sobre rio Minho e a sua foz e sobre A Guarda, onde é obrigatória a visita ao castro situado a 341 metros de altitude. As ruas medievais de Tui e a catedral de Santa Maria; o mosteiro cisterciense de Oia, localizado junto ao mar; a fortaleza de Monterreal e a réplica da caravela La Pinta, que trouxe a notícia do descobrimento da América, em Baiona; o castelo de Soutomaior, com um parque botânico e a rota das camélias; e a igreja da Virgem Peregrina e a basílica de Santa Maria Maior, em Pontevedra, foram outros pontos incluídos no percurso. Destaque ainda para Caldas de Reis, concelho termal com o qual Vizela formalizou a geminação a 19 de março de 2013. Esta localidade prepara a abertura de um parque termal público, sendo que atualmente vale a pena passear junto ao rio e visitar o seu jardim botânico. Terminado o Caminho, em Ano Jacobeu, a entrada na catedral de Santiago de Compostela faz-se pela Porta Santa. A Praça do Obradoiro, em frente ao templo, continua a ser o ponto mais emblemático para os peregrinos que chegam até à cidade do Apóstolo, quer peçam ou não a Compostela (documento emitido pela Oficina do Peregrino que certifica que se fez a peregrinação a pé, de bicicleta ou a cavalo).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Evangelizador em terras da antiga Hispânia, o Apóstolo S. Tiago Maior, filho de Zebedeu e irmão de João Evangelista, terá voltado à Palestina e ali sido martirizado. Os seus discípulos terão feito a trasladação do corpo para a Galiza de barco. O túmulo foi identificado pelo bispo de Iria Flávia, Teodomiro, provavelmente em 813, depois de alertado por Pelágio, que terá visto uma estrela pousada no bosque Libredón, no local onde foi encontrado o sepulcro. A demanda pelo túmulo do Apóstolo tornou-se numa das mais concorridas da Europa  medieval, só superada pelas peregrinações em direção a Roma e Jerusalém, consolidando os Caminhos de Santiago, que atualmente atraem pessoas de todo o mundo.

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